Vivemos em uma época que não apenas banalizamos o
ódio, alimentamo-nos dele e consequentemente o naturalizamos, e as tais
"autoridades” ditas “competentes" para solucionar ou ao menos minorar
isso, não diferem muito de nós, a dita maioria, corroboram e colaboram com o
ódio. Chegamos ao ponto de ver comumente o discurso que não existe homofobia,
ou ao menos não como alardeiam, mas por que razões deveríamos aceitar a
tipificação de um crime se convivemos tanto tempo com ele? Pois é, isso é
cultural e está arraigado aos nossos valores e costumes, quantos morriam e morrem
diariamente ou são espancados por homofobia e nem divulgados são, mas é tão
claro, caso não seja notificado podemos dizer que não existe, só que não. É isso
que o meu, o seu e o nosso santo e amado machismo diário produz de podre e
vil...
Qual é nosso hábito? Qual nossa atitude
costumeira? Não é elaborar uma hierarquia de valores, não é julgar
primeiramente e quase exclusivamente o mais pobre? O negro? A mulher ou
qualquer aspecto que nos remeta ao feminino? O homossexual? A pessoa Trans? Mantemos
sempre uma visão tacanha e mesquinha empurrando minorias sociais para baixo,
pois estes são alvos mais fáceis e neste ciclo vicioso, covardemente acusamos a
vítima, eliminando e nos livrando dela, pois é mais fácil e cômodo chutar o
cachorro morto e empurra-lo para debaixo do tapete da indiferença por nossa
falta de responsabilidade, que exercitarmos nosso senso crítico e tomarmos
alguma posição real.
Temos por hábito priorizar e categorizar as
dores, claro que nessa categorização ou priorização optamos por aquela que não
precisamos mover nossas preciosas nádegas, aquelas que não nos tiram da nossa
comodidade, ainda tendo o despautério de desmerecer a dor do outro.
Mantemos sempre pronto um discurso de estarmos perplexos
e indignados com a violência, mas pergunto o que fazemos na prática para
minora-la?
Promovemos um evento, o beijaço em repúdio a
violência sofrida pelo André Barbosa com mais de 440 confirmações no campo
virtual, um acalorado debate sobre a atrocidade do fato, todos demonstrando
indignação pelo fato e solidariedade pela vítima, mas quantos compareceram? 16
pessoas... o que isso quer dizer? Exatamente que é muito fácil apenas curtir e
compartilhar notícias na tela do computador mostrando-nos solidários e
preocupados, fazermos estardalhaços memoráveis, desde que não tenhamos de mover
nossas gordas nádegas de suas confortáveis posições, mas a principal vida acontece
no mundo real e não no virtual, no virtual ficamos indignados e chocados com a
violência, isso é um quase ir, um quase mover-se, mas ainda é quase...
Minha pergunta é a seguinte: quase até quando?