terça-feira, 28 de maio de 2013

Até quando?... (por Claudemir Gonçales e Otavio Zini)



Vivemos em uma época que não apenas banalizamos o ódio, alimentamo-nos dele e consequentemente o naturalizamos, e as tais "autoridades” ditas “competentes" para solucionar ou ao menos minorar isso, não diferem muito de nós, a dita maioria, corroboram e colaboram com o ódio. Chegamos ao ponto de ver comumente o discurso que não existe homofobia, ou ao menos não como alardeiam, mas por que razões deveríamos aceitar a tipificação de um crime se convivemos tanto tempo com ele? Pois é, isso é cultural e está arraigado aos nossos valores e costumes, quantos morriam e morrem diariamente ou são espancados por homofobia e nem divulgados são, mas é tão claro, caso não seja notificado podemos dizer que não existe, só que não. É isso que o meu, o seu e o nosso santo e amado machismo diário produz de podre e vil...
Qual é nosso hábito? Qual nossa atitude costumeira? Não é elaborar uma hierarquia de valores, não é julgar primeiramente e quase exclusivamente o mais pobre? O negro? A mulher ou qualquer aspecto que nos remeta ao feminino? O homossexual? A pessoa Trans? Mantemos sempre uma visão tacanha e mesquinha empurrando minorias sociais para baixo, pois estes são alvos mais fáceis e neste ciclo vicioso, covardemente acusamos a vítima, eliminando e nos livrando dela, pois é mais fácil e cômodo chutar o cachorro morto e empurra-lo para debaixo do tapete da indiferença por nossa falta de responsabilidade, que exercitarmos nosso senso crítico e tomarmos alguma posição real.
Temos por hábito priorizar e categorizar as dores, claro que nessa categorização ou priorização optamos por aquela que não precisamos mover nossas preciosas nádegas, aquelas que não nos tiram da nossa comodidade, ainda tendo o despautério de desmerecer a dor do outro.
Mantemos sempre pronto um discurso de estarmos perplexos e indignados com a violência, mas pergunto o que fazemos na prática para minora-la?
Promovemos um evento, o beijaço em repúdio a violência sofrida pelo André Barbosa com mais de 440 confirmações no campo virtual, um acalorado debate sobre a atrocidade do fato, todos demonstrando indignação pelo fato e solidariedade pela vítima, mas quantos compareceram? 16 pessoas... o que isso quer dizer? Exatamente que é muito fácil apenas curtir e compartilhar notícias na tela do computador mostrando-nos solidários e preocupados, fazermos estardalhaços memoráveis, desde que não tenhamos de mover nossas gordas nádegas de suas confortáveis posições, mas a principal vida acontece no mundo real e não no virtual, no virtual ficamos indignados e chocados com a violência, isso é um quase ir, um quase mover-se, mas ainda é quase...
Minha pergunta é a seguinte: quase até quando?